
Os erros me perseguem. Por mais que lute, parece que minha sina é sempre maior do que minha vontade. Lembro de algumas citações: “O que faço não aprovo, e o que aprovo não faço, e o vício desse laço continua em mim.” “Velhos hábitos demoram a morrer.”... As pessoas nos querem, e nos querem de verdade. Sentimos isso. Mas até que ponto alcançaremos as expectativas delas? Até que ponto valeremos a pena? Até que ponto seremos uma companhia agradável e diferente?
Nossos erros tendem a nos levar a caminhos pelos quais nunca teríamos andado, se tivéssemos pensado um pouco melhor. Ou melhor, se não tivéssemos pensado tanto. Machucamos pessoas pela vontade de poupá-las. Ferimos sentimentos e quebramos laços de confiança pelo anseio de “esperar ocasião melhor.”
Para a verdade, devemos ver, não há “tempo melhor”. Há o agora, e ela deve ser dita enquanto pode ser ouvida. Ela deve ser jogada, sem moralismos aos quatro ventos, para que todos saibam a importância que há, para nós, em dizê-la.
Levamos tempo para percebermos que uma pessoa não nos julgará pelas mesmas coisas que outras nos julgaram. Tudo é relevante, tudo vale a pena ser contado, descrito, analisado, revisto. Se não faz diferença falar, qual o mal em falar? Não vai mudar nada, certo? Se não fizer bem, mal não há de fazer. E se fizer mal, será passageiro. Não trará tantas conseqüências quanto a omissão.
Levemos em consideração os fatos reais. Não o passado. Mudemos, olhemos e vejamos quem realmente está conosco, e analisemos suas atitudes. Essa pessoa é alguém diferente de tudo, de todos que nos rodeiam. Por que diabos prosseguimos em tratá-la como os outros? Por que infernos não mudamos, não consideramos que essa pessoa nos deixou livre... Deixou que nos mostrássemos o mais imperfeito que fôssemos, e o máximo que fez foi nos aconselhar. Mostrou todas as suas imperfeições, e nada escondeu de nós.
É incrível como pensamos que privar alguma pessoa da verdade, em algum momento, pode ser melhor. Uma burrice sem tamanho! Idiotice sem igual!
Ao falarmos, denotamos que o fato, apesar de presente, não tem porque ser escondido. Porque mostramos não ter culpa. Demonstramos confiança nas pessoas e fazemos com que as pessoas confiem em nós. Ao omiti-lo, de alguma forma quebramos a corrente, deixamos a impressão de que temos algo a perder ao falar aquilo, e abrimos espaço para que as pessoas pensem que, se escondemos algo tão irrelevante, o que mais não poderemos esconder?
Inferno de demora para quebra de conceitos. Inferno.
“O Diabo desta vida é que dentre cem caminhos devemos escolher apenas um, e viver com nostalgia dos outro noventa e nove.”
“Será que essa voz o vento soprará e o tempo longe a destruirá como num canto perdido? Ou será que essa voz humilde, o vento levará até teu coração na esperança de um abrigo? Não quero teu medo, vem segura a minha mão. Não temos segredos, ou não somos mais irmãos. Eu vivo meus sonhos, deles não há repressão. Meu grito é ser livre, ter você no coração!!” – Era uma Vez – Catedral (Adaptada)
- Para ouvir: Como uma Onda - Lulu Santos