

..........Na escuridão, nossas mentes simplesmente não adquirem ciência do momento pelo qual se está passando. As luzes se apagam, e os olhos já se acostumam à falta delas. Já não nos sentimos cegos e sim confortáveis na condição de ausência de visão. SImplesmente, ao que parece, tudo está mais visível, nossos olhos revelam forças para enxergar onde não imaginaríamos possibilidades. Simplesmente, ao que parece, as trevas não são tão desprezíveis quanto se é pensado. Elas revelam formas ocultas pela luz, trazendo à tona coisas dantes invisíveis. Deveria-se dar mais valor à penumbra, já que ela nos traz à realidade de que, sem a luz, somos apenas medíocres e frágeis seres humanos. Se pensarmos bem, muitos outros seres enxergam demasiadamente melhor do que nossa raça. Muitos outros seres são superiores a nós. Dominam a capacidade de atravessar as barreiras escuras para nós, que para eles, são claras como a alvorada de uma bela sexta-feira. A escuridão reforça nossas fraquezas, nossas delimitações, fazendo com que esbarremos nossos pés em alguma quina de algum móvel, ou até mesmo fiquemos sem saber em que local nos encontramos. Mas o mais preocupante, por paradoxo, é o retorno da luz, da claridade. Quando nos sentimos confortáveis com a total ausência de alguma fonte de luz torna-se efetivamente difícil o retorno a esta. Torna-se até mesmo, pode-se dizer, incômodo. Fica óbvio, é claro, que quando nos acostumamos com a escuridão, o retorno à luz não é simplesmente repleto de obstáculos, e sim uma tortura, sendo nós mesmos os nossos próprios carrascos em um caminho de volta de um lugar para o qual nunca fomos, de um lugar no qual nunca estivemos.
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- Para Ouvir: Unleashed - Epica


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